Suei sangue
Para chegar a lugar nenhum
Sorvi a alma duma mulher
Enjaulei o seu corpo
Eu a protegi de tudo
Eu a definhei
Chorei sangue
Meus braços se esvaíram em forças tão vãs
Meus cabelos caíram
Vivi errante
Aqui e ali não vi labor
Lá e acolá não me deram labor
Só ouvi pranto
Só ouvi rangidos
Só ouvi gemidos
Só fiz chorar, ranger, gemer
Carpi as pedras
As farpas deveriam estar
debaixo das minhas unhas
E entre meus dedos
Mas estavam na mulher reclusa
Denotam o labor que não tive
Enjaulei aquela mulher
E dela sorvi a vida
Suei sangue
Chorei sangue
Carpi pedras
E cheguei a lugar nenhum.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
A vida do amor
Quando o amor nasce no coração, é quase impossível fazer esse parto. Dói, arde, coça, incomoda, tudo ao mesmo tempo. Mas sai, ah, esse bebê sai. Feio, mas sai.
Aí ele cresce. Vira uma criança linda e pura. Saltitante e alegre, corre pelo parque e chafurda-se na lama, na areia, na água, e pouco se importa com a mãe que vai lavar suas roupas mais tarde. É simplesmente feliz.
Mais um pouco, ele vira adolescente rebelde. Briga com tudo e com todos. Não se importa com a dor dos outros, somente com a sua. Pensa ter razão sobre tudo, pensa saber tudo, mas, ah, como são os adolescentes... falta muito do mundo para conhecerem!
Passada a fase rebelde, ele amadurece. É um belo adulto, que vai ficando cada dia mais bonito e vistoso, ganhou formas, ganhou jeito de homem. Ganhou curvas femininas. Tem cara de homem, tem cara de mulher.
E no final, já grisalho e de bengala, cego e triste, vê-se solteiro e não correspondido. E, por fim, morre, e consigo leva aquele que lhe deu à luz.
(1994)
Aí ele cresce. Vira uma criança linda e pura. Saltitante e alegre, corre pelo parque e chafurda-se na lama, na areia, na água, e pouco se importa com a mãe que vai lavar suas roupas mais tarde. É simplesmente feliz.
Mais um pouco, ele vira adolescente rebelde. Briga com tudo e com todos. Não se importa com a dor dos outros, somente com a sua. Pensa ter razão sobre tudo, pensa saber tudo, mas, ah, como são os adolescentes... falta muito do mundo para conhecerem!
Passada a fase rebelde, ele amadurece. É um belo adulto, que vai ficando cada dia mais bonito e vistoso, ganhou formas, ganhou jeito de homem. Ganhou curvas femininas. Tem cara de homem, tem cara de mulher.
E no final, já grisalho e de bengala, cego e triste, vê-se solteiro e não correspondido. E, por fim, morre, e consigo leva aquele que lhe deu à luz.
(1994)
Encantada
Encantada estou pelo teu gesto
Pela tua conversa
Pelas tardes agradáveis
Encantada estou pelo teu sorriso
Pela tua voz
Pela tua pele
Encantada estou pela tua mão
Pela tua palavra
Pelo teu perfume
Encantada estou pelo teu nome
Pelos teus olhos
Pelo teu olhar
Pelo teu coração
Pela tua conversa
Pelas tardes agradáveis
Encantada estou pelo teu sorriso
Pela tua voz
Pela tua pele
Encantada estou pela tua mão
Pela tua palavra
Pelo teu perfume
Encantada estou pelo teu nome
Pelos teus olhos
Pelo teu olhar
Pelo teu coração
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Escultura
Esculpindo num cubo de gelo
Vou fazendo minhas lágrimas vazias
Com todo o cuidado e zelo,
Monto-as como em todos os dias.
Faço-as como num apelo
Esculturas cantando pingando dizias:
De um beijo elas são o selo
De atividades de águas vadias.
Escultura como toda pedra tonta,
Tu e tuas virtudes amedronta,
Aquelas de quem te tem como escultura.
Agora, de gelo pedra dura,
Dia claro e triste noite escura,
Minha escultura de lágrima te encontra.
(1997)
Vou fazendo minhas lágrimas vazias
Com todo o cuidado e zelo,
Monto-as como em todos os dias.
Faço-as como num apelo
Esculturas cantando pingando dizias:
De um beijo elas são o selo
De atividades de águas vadias.
Escultura como toda pedra tonta,
Tu e tuas virtudes amedronta,
Aquelas de quem te tem como escultura.
Agora, de gelo pedra dura,
Dia claro e triste noite escura,
Minha escultura de lágrima te encontra.
(1997)
Alma das águas
Mergulha no meu seio e te faz da água,
Peixe infinito brado do meu ser!
Luta comigo como um bravo omágua,
E cala-te, se eu conseguir te vencer,
A todo custo calarei tua mágoa...
Tentar-me-ás e deverás perder.
Infinita e amarga ela dura em teu peito
No meu seio encontrarás o que te é direito.
Mergulha neste mar de atravancado rio,
Borbulhando tuas palavras inebriantes.
Faz do meu ser o teu puro brio...
Considera-me agora como foste antes,
Neste mar fúnebre e sombrio,
De ondas calmas e apaixonantes
De aguas mórbidas e profundas,
Onde mergulhas em tuas dores mais fundas.
Brada por debaixo deste lençol,
Borbulha desesperado tuas palavras ardentes.
Venha a emergir, buscando o sol,
Semeia de meu seio as tuas sementes.
Onde as guardas no meu mar - no meu atol,
Protegido pelas minhas serpentes...
Puras e intocadas pela tua mão
No meu seio estarão – pela tua ilusão.
Mergulha no meu seio e sentirás
A falta do ar que agora tragas.
Encontrarás a água que desprezarás,
Donde surgiram as tuas vidas amargas.
E o que comigo farás,
Sendo vencido por tuas chagas?
Não mergulhes no seio de outra pessoa,
Lá há água mórbida, a que te atordoa.
Mergulha nas águas do meu seio
Sorvendo o sangue de um possível bruxo.
Sorvendo as dores latentes duma veia,
Onde encontrarás meu coração murcho,
Eterno peixe que aqui veio...
Faz destas inquietantes palavras luxo.
E aqui permanecerás sincero,
Onde teu mergulho sempre espero.
Mergulha nestas águas funestas,
Onde receberás do meu coração balada
Embriagantes gotas, embriagantes festas,
Festa possível, por águas habenada.
Uma das tuas, tudo o que te resta,
Somente poeira embaixo de uma sacada,
De onde vês quem sou,
Porque sou e onde estou.
Profundamente em teu peito
Nesta alma das águas te encontro...
E teu amor é cada vez mais perfeito,
Com inefáveis palavras dum coração tonto.
Um acordo, meu eterno direito,
No teu mar sou apenas um ponto...
Onde estarei e tu estarás
E amar-te-ei e amar-me-ás.
(1997)
Peixe infinito brado do meu ser!
Luta comigo como um bravo omágua,
E cala-te, se eu conseguir te vencer,
A todo custo calarei tua mágoa...
Tentar-me-ás e deverás perder.
Infinita e amarga ela dura em teu peito
No meu seio encontrarás o que te é direito.
Mergulha neste mar de atravancado rio,
Borbulhando tuas palavras inebriantes.
Faz do meu ser o teu puro brio...
Considera-me agora como foste antes,
Neste mar fúnebre e sombrio,
De ondas calmas e apaixonantes
De aguas mórbidas e profundas,
Onde mergulhas em tuas dores mais fundas.
Brada por debaixo deste lençol,
Borbulha desesperado tuas palavras ardentes.
Venha a emergir, buscando o sol,
Semeia de meu seio as tuas sementes.
Onde as guardas no meu mar - no meu atol,
Protegido pelas minhas serpentes...
Puras e intocadas pela tua mão
No meu seio estarão – pela tua ilusão.
Mergulha no meu seio e sentirás
A falta do ar que agora tragas.
Encontrarás a água que desprezarás,
Donde surgiram as tuas vidas amargas.
E o que comigo farás,
Sendo vencido por tuas chagas?
Não mergulhes no seio de outra pessoa,
Lá há água mórbida, a que te atordoa.
Mergulha nas águas do meu seio
Sorvendo o sangue de um possível bruxo.
Sorvendo as dores latentes duma veia,
Onde encontrarás meu coração murcho,
Eterno peixe que aqui veio...
Faz destas inquietantes palavras luxo.
E aqui permanecerás sincero,
Onde teu mergulho sempre espero.
Mergulha nestas águas funestas,
Onde receberás do meu coração balada
Embriagantes gotas, embriagantes festas,
Festa possível, por águas habenada.
Uma das tuas, tudo o que te resta,
Somente poeira embaixo de uma sacada,
De onde vês quem sou,
Porque sou e onde estou.
Profundamente em teu peito
Nesta alma das águas te encontro...
E teu amor é cada vez mais perfeito,
Com inefáveis palavras dum coração tonto.
Um acordo, meu eterno direito,
No teu mar sou apenas um ponto...
Onde estarei e tu estarás
E amar-te-ei e amar-me-ás.
(1997)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Um beijo
Um beijo, amado,
Que sirva de consolo
A meu coração alado.
Um beijo apaixonado,
Que seja como um estouro
Dentro deste coração calado.
Um beijo de tua boca,
Ardente de puro louvor,
Um beijo, um torpor,
Que me salve de ficar louca,
Um beijo com amor.
Que vença minha paixão,
Um beijo que sobre...
Um beijo de cobre,
Ao atingir um coração.
Só um beijo nobre.
Um beijo que encerre
Minha alma de dores,
Um beijo que a enterre.
Um beijo do inferno,
Para me aquecer eu quero
Um beijo no inverno.
Um beijo, um cais,
Onde ancoras teu orgulho.
Teu beijo, quero mais.
(1996)
Que sirva de consolo
A meu coração alado.
Um beijo apaixonado,
Que seja como um estouro
Dentro deste coração calado.
Um beijo de tua boca,
Ardente de puro louvor,
Um beijo, um torpor,
Que me salve de ficar louca,
Um beijo com amor.
Que vença minha paixão,
Um beijo que sobre...
Um beijo de cobre,
Ao atingir um coração.
Só um beijo nobre.
Um beijo que encerre
Minha alma de dores,
Um beijo que a enterre.
Um beijo do inferno,
Para me aquecer eu quero
Um beijo no inverno.
Um beijo, um cais,
Onde ancoras teu orgulho.
Teu beijo, quero mais.
(1996)
A Virgem
Chora, ri, sem saber o porquê
E a virgem pergunta, pergunta o porquê.
É ela a areia da praia,
Dorme por entre rendas e cambraia.
E a virgem dorme, dorme,
Entre seu sono enorme, enorme.
Correndo do vento, a angústia enfadonha.
E a virgem sonha, sonha.
É ela o sorriso do vento
E vem doce, toma meu pensamento.
E ela acha o mundo pequeno!
É a virgem, bebo seu veneno.
Onde ela está não sei agora,
Talvez longe, ela demora.
Não sei que fim ela toma,
A virgem sob uma redoma.
Lá vai ela, pelos campos de trigo,
Nuvem alva, e nenhum amigo.
E a virgem caminha, caminha.
Tropeça por entre as vinhas.
Lá vai ela, com trôpegos passos,
Em seu mundo pequeno, sem espaços.
O alvorecer acontece
Enquanto ela adormece.
E tem tantos mais, ela, a esperta...
E a virgem desperta, desperta.
(1997)
E a virgem pergunta, pergunta o porquê.
É ela a areia da praia,
Dorme por entre rendas e cambraia.
E a virgem dorme, dorme,
Entre seu sono enorme, enorme.
Correndo do vento, a angústia enfadonha.
E a virgem sonha, sonha.
É ela o sorriso do vento
E vem doce, toma meu pensamento.
E ela acha o mundo pequeno!
É a virgem, bebo seu veneno.
Onde ela está não sei agora,
Talvez longe, ela demora.
Não sei que fim ela toma,
A virgem sob uma redoma.
Lá vai ela, pelos campos de trigo,
Nuvem alva, e nenhum amigo.
E a virgem caminha, caminha.
Tropeça por entre as vinhas.
Lá vai ela, com trôpegos passos,
Em seu mundo pequeno, sem espaços.
O alvorecer acontece
Enquanto ela adormece.
E tem tantos mais, ela, a esperta...
E a virgem desperta, desperta.
(1997)
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